Pazolini ignora servidores e não responde à Carta Compromisso do Sindipúblicos

Prazo para devolução do termo assinado venceu no dia 19 sem qualquer retorno do candidato ou de sua assessoria; Ricardo Ferraço já assumiu publicamente os compromissos com a categoria
O candidato ao Governo do Estado Lorenzo Pazolini (Republicanos) segue sem dar qualquer resposta à Carta Compromisso com o Serviço Público Capixaba, documento elaborado pelo Sindipúblicos com as principais reivindicações dos servidores estaduais para o mandato de 2027–2030. O prazo para a devolução do Termo de Adesão assinado terminou no último domingo (19), e até agora nem o candidato nem sua equipe se manifestaram.
A diretoria do Sindipúblicos e a assessoria do Sindicato procuraram o candidato e seus assessores para apresentar as demandas da categoria e abrir um canal de diálogo. Não houve nenhum retorno. O silêncio se manteve diante de todas as tentativas de contato, sem qualquer sinalização de compromisso com o serviço público capixaba e com os servidores que fazem o Estado funcionar.
O documento (abaixo) foi encaminhado ao candidato Lorenzo Pazolini na mesma data, 14 de outubro, por e-mail e posteriormente por WhatsApp, que foi enviado a Ricardo Ferraço. Após uma semana, nenhum retorno. Apenas o silêncio do candidato e de sua assessoria.
O contraste com o outro candidato no segundo turno é direto. Na última sexta-feira (16), o governador e candidato à reeleição Ricardo Ferraço (MDB) recebeu a direção do Sindicato, assinou o Termo de Adesão e se comprometeu a implementar, caso eleito, as propostas dos quatro eixos da carta. O mesmo havia feito Renato Casagrande nas eleições passadas, compromisso que serviu de base para cobranças posteriores e contribuiu para o avanço da pauta dos servidores.
O que está em jogo
A carta reúne pontos centrais para a vida dos servidores, entre eles:
– Criação da Mesa Estadual de Negociação Permanente, com composição paritária e registro formal dos acordos;
– Pagamento anual da revisão geral, com data-base fixada em lei e recomposição mínima da inflação;
– Revisão do auxílio-alimentação e dos valores das diárias;
– Revisão dos planos de cargos e carreiras e realização de concursos públicos regulares;
– Política estadual de prevenção ao assédio moral e sexual, ao racismo e a todas as formas de discriminação;
– Apoio a mães e pais atípicos e atenção à saúde mental dos servidores.
O documento também pede um posicionamento por escrito sobre o futuro de órgãos como Ceturb-ES, Incaper, Iema, Idaf, IPAJM, DER e Detran: se o candidato pretende mantê-los como entidades públicas, sem extinção, fusão, privatização ou terceirização de suas atividades finalísticas, e como pretende recompor os quadros efetivos. Sobre nenhum desses temas Pazolini apresentou resposta.
Servidores precisam comparar
Para a presidenta do Sindipúblicos, Renata Setúbal, a carta é justamente o instrumento que permite à categoria avaliar quem está disposto a dialogar. “A mensagem para a base está dada: os servidores precisam comparar a relação de um projeto com a de outro”, afirmou.
Renata lembra ainda o peso da eleição para quem trabalha no serviço público. “A eleição para governador é muito importante para nós, servidores. Temos a possibilidade de escolher o nosso patrão, coisa que quase nenhum trabalhador tem”, disse.
O Sindipúblicos mantém o convite aberto e segue disponível para receber o candidato. A expectativa é que Lorenzo Pazolini se posicione publicamente sobre as reivindicações da categoria antes do segundo turno, marcado para o próximo domingo, 25 de outubro.
Pazolini em silêncio sobre privatização do Banestes, Cesan e aciona a Justiça contra o Sindaema
O silêncio de Pazolini diante das demandas apresentadas pelo Sindipúblicos não é um caso isolado. Ele se soma à forma como o candidato vem tratando as entidades que representam os trabalhadores do serviço público estadual. Pazolini não assinou a carta compromisso pela manutenção do Banestes como banco estatal, encaminhada pelo Sindibancários, e também não se comprometeu a manter a Cesan pública, o que acende o alerta para um possível cenário de desmonte e privatizações. Além de se recusar a assumir compromissos com os serviços públicos estaduais, o candidato ainda entrou com processo contra o Sindaema, Sindicato dos Trabalhadores em Saneamento, por ter divulgado um vídeo questionando sua falta de posição sobre o tema.
O espaço permanece aberto para manifestação do candidato.
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Texto: Douglas Dantas Foto: Divulgação
