Assembleia Legislativa: bombeiros para apagar crise
Uma verdadeira “operação abafa” foi montada ontem, na primeira sessão da Assembleia Legislativa após as declarações do presidente Theodorico Ferraço (DEM) de que estaria “em crise” com o governador Renato Casagrande (PSB), a quem acusou de comandar um governo que “não tem respeito com os deputados”, a ponto de fazê-los de “trouxa”. O tema não suscitou discursos e, nos corredores da Casa, foi tratado como “algo pessoal”.
O único deputado a posicionar-se abertamente a favor do presidente da Casa foi José Esmeraldo (PR). Este, por sinal, já vinha criticando o governo desde junho, quando foi rifado da disputa à Prefeitura de Vitória e creditou o movimento ao governador.
“Estou com Theodorico. O governador não nos atende. Posso ficar quatro anos sem vê-lo, mas isso vai prejudicá-lo politicamente. Não estou aqui para ficar tratando com interlocutores”, disparou Esmeraldo, ontem à tarde.
Primeiro-secretário da Mesa Diretora, o petista Roberto Carlos foi “escalado” para apagar os focos de incêndio. Ele chegou a revelar que no domingo, quando as declarações de Theodorico foram publicadas em A GAZETA, “o telefone não parou de tocar”. Entre as ligações, algumas vindas do governo.
“Tudo o que combinamos em relação à reforma administrativa e à austeridade da Casa está sendo cumprido. Há questões pontuais, mas já conversei com Theodorico, disse que não podemos pôr a Casa em rota de colisão. Não estamos em crise institucional”, pontuou Roberto Carlos.
Reeleição
Nos bastidores, a interpretação mais recorrente dos parlamentares é a de que a indignação do presidente se expôs após o Executivo sugerir que a Casa não votasse, durante o período eleitoral, a proposta de emenda para permitir a reeleição do presidente. O democrata teria se sentido “ofendido” e “destratado” pelo Palácio Anchieta.
Em declaração publicada no fim de semana, Theodorico chegou a afirmar o seguinte: “O governador não quer minha amizade”. Ontem, procurado pela reportagem, manteve a posição.
“Já me ofereceram uma dúzia de extintores de incêndio, mas não mudo uma palavra do que disse. O que sinto de Casagrande é isso”, insistiu.
Enquanto isso, há quem se prepare para reuniões com o governador e com o secretário-chefe da Casa Civil, Luiz Carlos Ciciliotti. É o caso do líder do governo no Legislativo, Sérgio Borges. “Certamente seremos chamados para conversar (com o governo). Ciciliotti ligou para Theodorico e vamos aguardar o resultado disso”, disse.
E sobre o recado do presidente, de que Casagrande e ele deveriam “exorcisar o capeta” da Casa? Borges riu: “Sou um homem de fé e acho que aqui não é preciso exorcismo. Todos que estão aqui são homens de bem”, finalizou.
Zé Carlos vai insistir na reeleição
A PEC da reeleição, que pode dar ao presidente Theodorico Ferraço (DEM) a chance de continuar à frente da Casa, não está descartada. Ontem, o deputado José Carlos Elias (PTB), que encampou, no primeiro semestre, o recolhimento de assinaturas, disse que o projeto não foi engavetado.
“O governo não me pediu para retirar a PEC. Ela já está assinada por 22 deputados, mas o governo disse que quer participar da discussão. Podemos até esperar, mas também não decidi isso”, afirmou.
A proposta prevê a possibilidade de reeleição para o presidente da Assembleia – algo vetado na Casa desde 2003. Diante da reação negativa do Palácio Anchieta à ideia, alguns parlamentares já defendem alteração no texto, para facilitar a aprovação.
“Uma das possibilidades é só permitir a reeleição de quem está em mandato-tampão, para vetar a chance de uma presidência vitalícia. É o que defendo”, frisou Zé Carlos. Rodney Miranda (DEM) comunga da ideia. “Creio que, deste jeito, será aprovada”.
“Hartung vai iluminar juízes do TRE”
Ao lado de Edson Magalhães (PPS), candidato à reeleição em Guarapari, Theodorico Ferraço delegou semana passada ao ex-governador Paulo Hartung (PMDB) a “missão” de ajudar o aliado. Edson teve a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral. “Hartung, você é a estrela que fará iluminar a inteligência dos juízes do TRE”, disse.
A Gazeta
